Yoga, como vimos num artigo anterior, não se trata apenas da prática física (asanas) e, para além das outras vertentes, há diferentes escolas e visões.

Assim, se não vos agradou alguma aula, aconselho a não desistirem de imediato. Não só podem optar por um estilo que vos faça mais sentido como, no mesmo tipo de yoga, encontram instrutores diferentes, transformando cada  aula  numa viagem única.

Aqui ficam os estilos de Yoga mais comuns e uma breve definição dos mesmos:

• Hatha: Por norma, todas as aulas que combinam as posturas (asanas) com técnicas de respiração (pranayama). É comum ser uma prática de movimentos lentos, passando de postura em postura com suavidade. No entanto, dependendo do grupo, pode ser mais ou menos rápida e mais ou menos intensa.  A sua natureza conjuga flexibilidade, equilíbrio e tonificação muscular, terminando sempre com um relaxamento (de 5 a 20 minutos), a fim do praticante se sentir revigorado;

• VinyasaSânscrito para fluidez. Aqui, também o praticante torna o corpo mais flexível e forte, assim como testa e melhora o equilíbrio. As transições têm um caráter mais coreográfico do que os outros estilos de yoga, pois procura-se manter um ritmo constante e fluído. Este lado dinâmico do yoga permite, igualmente, aumentar o consumo calórico, ficando à descrição do instrutor e do grupo, o nível de velocidade e exigência física. Uma boa prática para quem não gosta de rotina e quer testar os seus limites (a Saudação ao Sol é um exemplo de Vinyasa);

• AshtangaUma prática antiga e de caráter mais rígido. À semelhança do Vinyasa, é exigente em termos físicos e conjuga movimento com respiração, tornando-as práticas de meditação ativa. Contudo, esta segue sempre a mesma fórmula, isto é, as mesmas posturas até o praticante as dominar e ser capaz de atingir outras mais exigentes. Inclui 10 saudações ao Sol, flexões para trás e invertidas;

• KundaliniUma prática para os mais espirituais. Os yogis acreditam no poder da kundalini (a serpente adormecida na base da espinha, no chakra da raiz), e procuram acordá-la através da prática. Este poder é um despertar maior que poderá manifestar-se em dons ou poderes psíquicos. Uma aula com movimento, respiração e mantras, capaz de energizar o corpo e acalmar a mente. É interessante explorar diferentes níveis de energia e ver os efeitos que surgem, tanto no corpo como no nosso dia a dia;

• IyengarUma expressão desenvolvida pelo famoso B.K.S Iyengar e caraterizada pela sua atenção no alinhamento e perfeição das posturas. Esta faceta leva a que seja uma aula aconselhável a quem tenha limitações físicas, pois para atingir a melhor postura, o instrutor irá recorrer a apoios externos (blocos, cintos, mantas...). Uma prática mais estática e, ao mesmo tempo, desafiante física e mentalmente;

• BikramDesenvolvida por Bikram Choudhury, é uma prática polémica. À semelhança de Ashtanga, os praticantes repetem sempre a mesma sequência, embora seja feita numa sala aquecida como se estivessem numa sauna. O calor e humidade, de acordo com o perito, ajudam a obter uma maior flexibilidade do corpo. Posteriormente, foram criadas escolas que ensinam o mesmo tipo de yoga, mas com sequências diferentes e mais variadas, conhecidas por Hot Yoga;

• YinMuito menos dinâmica do que todos os estilos anteriores. Aqui centramo-nos em permanecer numa postura largos minutos. Pode suscitar aborrecimento nas mentes da sociedade atual, viradas para o agir e para o obter muito, no menos tempo possível. Talvez por isso mesmo esta seja uma aula desafiante, pois a mente é convidada a estar presente e a atenção virada para as sensações. A sua natureza estática permite tirar o máximo de benefícios da postura, principalmente a nível de flexibilidade, e contribui largamente para descansar e restaurar o corpo;

• NidraUma técnica de relaxamento profundo. O instrutor guia os alunos, deitados, num estado consciente mas de repouso absoluto. Os benefícios são diversos, incluindo o restauro de corpo e mente, e o alcançar de objetivos pessoais.

Numa última nota, deixem-me também relembrar que, muitas vezes, desistimos de uma nova modalidade ou forma de vida por se desviar da nossa zona de conforto. É normal, mas vale a pena insistir mesmo quando parece difícil.

Em relação ao Yoga, toda a prática sai fora dos parâmetros a que estamos habituados. Tanto o corpo como a mente são desafiados, oferecendo certa resistência. Para a maior parte das pessoas, há uma notória evolução uma ou duas semanas depois.

Assim sendo, dêem uma hipótese ao vosso corpo para se habituar à novidade, vão adorar o que vos traz.


Bárbara Aroucha
Bárbara Aroucha

Coach Psicologia Alimentar, Instrutora de Yoga, Consultora Mindfulness e Coach em Alimentação Vegan
Os anos que passei numa luta contra o corpo e a comida foram a base para desejar dirigir a minha vida a ajudar os outros nas mesmas dificuldades.

O contato com o Yoga foi o primeiro passo para conhecer uma nova dimensão do meu corpo, ajudando-me a adotar uma atitude mais compassiva para comigo mesma.

Procurei conhecer-me melhor através da comida e da minha relação com esta, através de muito estudo, dedicação e amor. Agora, sei que a forma como lidamos com o nosso corpo e a comida é uma porta para algo maior.

À procura de uma alimentação saudável que me desse prazer e nutrição, e movida por uma ética consciente, entrei no mundo do veganismo.

Adoro perder-me na Natureza e sou, sem vergonha alguma, amante de gatos, tendo feito voluntariado numa associação para adoção de gatos.

Todas as ferramentas que fui aprendendo utilizo-as nos outros, criando o melhor caminho para encontrarem serenidade e amor.

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