A testosterona é uma hormona masculina muito importante. Ela controla o desenvolvimento das caraterísticas sexuais do homem, as funções de reprodução e também tem um papel decisivo na saúde e bem-estar físico/mental do homem.

Sabe-se que o défice de testosterona pode causar sintomas que levam a algumas doenças características do sexo masculino e à redução das ações desta hormona na saúde do homem.

Quando os homens chegam aos quarenta e poucos anos, os seus níveis de testosterona começam gradualmente a diminuir, aproximadamente 2% por ano, e depois caem vertiginosamente após os 60 anos, entrando na chamada "andropausa." Esta redução pode causar efeitos tanto físicos como psicológicos, desde a perda de massa muscular à resistência à insulina.

Hoje em dia, já existem alguns homens que recorrem à terapia de reposição de testosterona com bons resultados, mas esta abordagem, embora muitas vezes positiva a curto prazo, pode ter alguns inconvenientes a longo prazo, especialmente se os fatores subjacentes que estão a causar a deficiência de testosterona não forem abordados intrínsecamente.

• Em 1º lugar, a terapia de substituição, muitas vezes envolve a administração de níveis demasiado elevados de testosterona no corpo, doses que jamais ocorreriam de forma fisiológica, o que aumenta o risco de efeitos secundários graves, incluindo determinados tipos de cancro.

• Em 2º lugar, quando a testosterona é ingerida, o corpo automaticamente envia um sinal às gónadas para reduzir ainda mais a sua produção, alimentando assim a deficiência original e levando à atrofia testicular.

• Em 3º lugar, quando os níveis de testosterona são subitamente aumentados através de fontes exógenas, muitas vezes há um aumento concomitante de metabólitos de testosterona, como a dihidrotestosterona (DHT) e o estradiol, que podem levar a alguns efeitos indesejáveis, que incluem queda de cabelo e próstata aumentada.

Tendo em conta estes riscos, pode-se seguir um outro caminho apoiando a produção de testosterona natural do corpo, através da remoção de produtos químicos que bloqueiam a sua produção e apoiando a capacidade do próprio corpo para produzir mais testosterona endógena.

Assim, o que deve evitar para manter a produção de testosterona equilibrada:

  • Estatinas: É a principal droga vastamente confirmada pela literatura científica associada à supressão da produção de testosterona e/ou libido nos homens. Estes medicamentos apresentam-se como salvadores de vidas nas doenças cardiovasculares, quando na realidade contribuem para mais de 200 efeitos adversos diferentes para a saúde;
  • Bisfenol A: Este disruptor endócrino omnipresente encontrado principalmente em plásticos, alimentos enlatados e recibos, foi associado ao bloqueio da produção de testosterona nos testículos e com efeitos estrogénicos. Atenção, que mesmo os chamados produtos "Bisfenol A livres", contêm muitos outros tipos de bisfenol com o mesmo perfil de toxicidade, como tal, nada como voltar a utilizar os frasquinhos de vidro;
  • Parabenos: Outro petroquímico encontrado como conservante numa ampla gama de produtos, mas especialmente em cosméticos e produtos de higiene corporal. Os estudos associam-no a desequilíbrios nos níveis de testosterona;
  • Glifosato: Este produto químico perturbador da testosterona é encontrado praticamente em todos os lugares onde a agricultura geneticamente modificada predomina. A melhor maneira de evitar a exposição é comer alimentos biológicos.

Já sabe o que deve primariamente evitar. Mas e o que fazer para aumentar a produção de testosterona pelo próprio corpo?

Existem nutrientes específicos que o vão auxiliar nessa tarefa. A dica aqui é, sempre que puder, forneça estes nutrientes ao seu corpo através da alimentação, evitando a suplementação que apenas deve ser utilizada em casos específicos. Lembre-se: o que alimenta as suas células são os nutrientes que lhes fornece.

• O Zinco: É bem sabido que a deficiência em zinco pode levar à supressão testicular e dos níveis de testosterona. A próstata masculina tem das mais elevadas concentrações de zinco do que qualquer outro órgão, indicando assim a sua importância para o sistema reprodutivo masculino. O zinco também tem sido associado à proteção contra metais pesados (principalmente o cádmio) e contra danos no ADN dos testículos, preservando a sua capacidade para produzir testosterona.

A investigação com animais também indica que pode melhorar a função eréctil juntamente com a otimização dos níveis de prolactina e de testosterona. É importante reter que os nutrientes estão ligados numa matriz de interdependência, o que significa que o excesso de zinco pode levar a uma deficiência de cobre, e vice-versa. Por isso, nada como ingerir este maravilhoso mineral através dos alimentos como as leguminosas e as sementes de abóbora (sem sal claro).

• Vitamina C: Sabemos que a vitamina C fortalece o sistema imunitário, que é constituinte do colagénio, mantém os ossos, as articulações e a pele firmes e fortes, mas não só... Auxilia também na produção de testosterona endógena. Uma pesquisa preliminar indica que a vitamina C contribui eficazmente para a regeneração dos níveis de testosterona.

• Magnésio: os níveis de magnésio são fortemente associados a hormonas anabolizantes da testosterona e IGF-1 em idosos. Esta observação indica que este mineral, envolvido em mais de 300 vias enzimáticas, pode ajudar a modular positivamente o equilíbrio anabólico/catabólico que se encontra, muitas vezes, perturbado nas pessoas idosas. Um mecanismo proposto sobre o papel do magnésio para aumentar a testosterona é acerca da sua inibição na ligação da testosterona à hormona sexual globulina de ligação, levando a um aumento da testosterona biodisponível.

• Serenoa repens/astaxantina: Uma das melhores maneiras de aumentar a testosterona naturalmente é impedir que esta se converta em dihidrotestosterona e estrogénio (estradiol). Isto pode ser conseguido inibindo a enzima aromatase e o 5-alfa-redutase.

O 5-alfa-redutase é uma enzima que converte a testosterona em dihidrotestosterona e a enzima aromatase converte a testosterona em estradiol. Um estudo promissor de 2009 publicado no Journal of Cardiovascular Electrophysiology, verificou que nos machos saudáveis entre 37-70 anos de idade, uma combinação destas duas substâncias resultou num aumento da testosterona e na diminuição da dihidrotestosterona.

• Fosfatidilserina: Este componente da membrana celular criticamente importante, encontrado em alimentos como a soja e lecitina de girassol, foi associado à diminuição dos níveis de cortisol e ao aumento dos níveis de testosterona.

 

 

Referências Científicas:
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Vera Belchior
Vera Belchior

Naturopata
"Naturopata desde 2008, formada pelo I.M.T. (Instituto de Medicina Tradicional) tendo prosseguido posteriormente para uma Pós-graduação em Acupuntura e Moxabustão no ISLA de Lisboa.

Paralelamente, realizo ações de divulgação de vários temas diretamente relacionados com a Naturopatia e as Terapias Complementares, como palestras, workshops e artigos que vou escrevendo em parceria com revistas especializadas".

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