A Acupuntura é uma prática integrante da Medicina Tradicional Chinesa, mas que assumiu um papel quase vital dentro da filosofia oriental, oferecendo uma forma de recuperação da saúde através da inserção de agulhas finas em precisos locais anatómicos da pele (pontos de acupuntura), com o intuito de estimular o organismo a superar determinadas doenças promovendo, ao mesmo tempo, o alívio da dor.
A técnica sobrevive há milénios, apresentando benefícios em indivíduos com problemas gastrointestinais, musculares, endócrinos, neurológicos, ginecológicos, entre outros. É aplicada como terapêutica médica na China, há pelo menos 2000 anos. Já em Portugal, a Acupuntura, reconhecida como terapia complementar pelo estado português, tem o seu enquadramento legal na Lei 71/2013.
A ação terapêutica da Acupuntura tem sido objeto de estudo no Ocidente desde o início deste século, sendo atualmente um facto de que esta exerce os seus efeitos através da estimulação de terminações nervosas nos tecidos onde são colocadas as agulhas, provocando a libertação de substâncias que estimulam a circulação local e, como consequência melhoram o aporte de nutrientes aos tecidos e a sua correspondente oxigenação.
Como tal, já se encontra confirmada a sua eficácia no tratamento de patologias como as artroses, lombalgias, cefaleias de tensão, dores crónicas do ombro, entre outras situações.
Assim, os efeitos terapêuticos da Acupuntura são obtidos quando, através da inserção de agulhas na pele, se consegue modular o funcionamento das glândulas exócrinas, do sistema imunitário, nervoso e endócrino.
O diagnóstico por meio da Medicina Tradicional Chinesa é feito depois do questionamento de diversos aspetos da vida do paciente e a observação de ostentações físicas como a pulsação, a respiração, o aspeto da pele e da língua. Após a identificação do problema, o paciente pode ver alguns dos seus pontos de acupuntura estimulados em diversas áreas e frequentes sessões, de forma a restabelecer o equilíbrio da sua saúde.
Apesar de pouco frequente, esta técnica não é isenta de efeitos secundários, podendo ocorrer determinadas situações, desde uma simples hemorragia no local de inserção da agulha que passa com compressão e gelo, até possíveis lesões de órgãos, como no caso da pleura (membrana que envolve o pulmão). No entanto, há que referir que os efeitos secundários mais graves são extremamente raros e muitos devem-se à fraca formação do terapeuta que a exerce.
Podemos assim concluir, que a acupuntura é uma técnica eficaz e com um grau de segurança elevado, quando executado por um profissional de Medicina Tradicional Chinesa qualificado.
Atualmente também são usadas agulhas descartáveis, de uso único, pelo que a probabilidade de transmissão de doenças infetocontagiosas é praticamente nula desde que, claro, sejam tomados os cuidados adequados.
Há que relembrar que indivíduos com histórico de epilepsia, crises convulsivas, alterações de coagulação ou que tenham problemas nas válvulas do coração devem, antes de iniciar o tratamento, informar o terapeuta destas condições, de forma a minimizar eventuais complicações que possam surgir na sequencia destes mesmos distúrbios.
Hoje em dia já existem várias formas de aplicação de acupuntura sem passar pelas agulhas. Podemos atualmente fazer um tratamento de acupuntura estimulando os pontos através da acupressão (com os dedos), com pedras quentes, electroestimulação e laser.
Já não há desculpas para evitar os benefícios desta técnica milenar!!

Naturopata
"Naturopata desde 2008, formada pelo I.M.T. (Instituto de Medicina Tradicional) tendo prosseguido posteriormente para uma Pós-graduação em Acupuntura e Moxabustão no ISLA de Lisboa.
Paralelamente, realizo ações de divulgação de vários temas diretamente relacionados com a Naturopatia e as Terapias Complementares, como palestras, workshops e artigos que vou escrevendo em parceria com revistas especializadas".