A gordura visceral é o acúmulo de tecido adiposo intra-abdominal em excesso, ou seja, é a gordura profunda do tipo gel, que envolve os principais órgãos, incluindo o fígado, o pâncreas e os rins. Esta é particularmente perigosa porque as células mudam a forma como o corpo funciona aumentando o risco de:

  • Doenças cardiovasculares
  • Cancro
  • Demência
  • Diabetes
  • Depressão e distúrbios de sono
  • Artrite
  • Obesidade
  • Disfunção sexual

Assim, é considerada tóxica porque desencadeia processos inflamatórios que podem interferir com o equilíbrio hormonal do corpo. O próprio tecido da gordura age como órgão de bombear hormonas e substâncias inflamatórias, o que faz com que armazene o excesso de gordura em torno dos órgãos e com que aumente a produção de substâncias químicas pró-inflamatórias (citoquinas), que levam à inflamação. Ao mesmo tempo, interferem com as hormonas que regulam o apetite, o peso, o estado de espírito e a função cerebral.

Para evitar o acúmulo de gordura perigosa, o corpo, através de determinadas substâncias químicas, diz-nos quando temos ou não fome. Este sistema de comunicação químico é o responsável por nos manter num peso saudável ou tornar-nos mais suscetíveis ao aumento de peso e armazenamento de gordura visceral.

O apetite e controlo do humor são equilibrados pela insulina, que por sua vez equilibra os níveis de açúcar no sangue, trazendo-os para baixo depois de comermos uma refeição com elevado teor de açúcares ou hidratos de carbono. Ao mesmo tempo, a insulina também é responsável pelos depósitos de gordura corporal, incluindo a gordura visceral profunda.

Quando há excesso de glicose no sangue e nas células, esta é armazenada como gordura. Isso acontece mais facilmente quando consumimos hidratos de carbono processados e alimentos açucarados, resultando num aumento de peso e de apetite. Isto leva a excessos e, por sua vez, a um ciclo vicioso que faz com que seja difícil parar de comer. Quanto mais vezes e mais tempo os níveis de insulina no sangue permanecerem elevados, maior o acúmulo de gordura corporal.

Mas qual o verdadeiro risco de ter níveis elevados de gordura visceral?

• Torna-se desafiante eliminar o peso: o metabolismo é fortemente regulado pelo nível de gordura armazenada. Esta influencia o nosso apetite e leva-nos a comer demais devido a alterações hormonais que ocorrem. Níveis mais elevados de insulina também promovem a conversão mais eficiente das nossas calorias em gordura corporal, de modo que este ciclo vicioso continua.

Quando come hidratos de carbono refinados, como farinha branca e açúcar, as hormonas que armazenam gordura são produzidas em excesso, elevando o ponto de harmonia e tornando difícil seguir um dieta saudável com moderado teor calórico.

• Aumenta os níveis de inflamação no corpo: a gordura visceral produz moléculas hormonais e inflamatórias que são encaminhadas diretamente para o fígado, levando a mais inflamação e reações de desregulação hormonal. A gordura visceral faz mais do que apenas levar à inflamação. Torna-se inflamada, produzindo algo conhecido como interleucina-6, um tipo de molécula inflamatória. Este tipo de gordura armazena glóbulos brancos inflamatórios e dá início a uma série de reações autoimunes. A inflamação é a raiz da maioria das doenças e é por isso que a gordura visceral está interligada ao declínio cognitivo, artrite, diabetes e assim por diante.

• Aumenta a probabilidade de desenvolver Diabetes: a gordura visceral desempenha um papel importante na resistência à insulina, o que significa que existe um risco aumentado de desenvolver diabetes.

• Aumenta a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares: as citocinas inflamatórias produzidas pela gordura, são os principais responsáveis pelas doenças cardiovasculares e outras doenças inflamatórias. Quando o corpo está inflamado, o fígado fica sobrecarregado, o que leva à formação de placas nas artérias. A gordura visceral está, assim, associada ao aumento do risco de marcadores de doenças cardiovasculares, como níveis elevados de triglicerídeos, de pressão arterial e de colesterol.

• Aumenta a probabilidade de desenvolver demência: existe uma forte relação entre a obesidade, a doença vascular, a inflamação e o declínio cognitivo, incluindo demência. Quanto mais gordura abdominal (relação cintura-anca), maior o impacto negativo sobre o centro de memória do cérebro (hipocampo).

Os resultados de um estudo de 2010 feito pelo Departamento de Cardiologia no Hospital Oita da Cruz Vermelha no Japão, revelaram que os níveis elevados de gordura visceral em pacientes não dementes com diabetes tipo 2 eram caraterizados por (i)alterações anormais no volume do hipocampo e na resistência à insulina.

• Aumenta a probabilidade de desenvolver depressão e distúrbios de humor: num estudo de 2014 conduzido pela Escola de Medicina da Universidade de Boston encontraram uma associação entre os sintomas (ii)depressivos e a adiposidade visceral em adultos de meia-idade. Os resultados mostraram que, quanto mais elevados os níveis de tecido adiposo visceral armazenados, maior a probabilidade de sofrer depressão. À semelhança de outros estudos, mais uma vez se constatou que o tecido adiposo visceral é uma gordura patogénica metabolicamente ativa que interfere com os nossos neurotransmissores.

Embora ainda não exista um modo fácil para determinar se a quantidade de gordura armazenada é visceral ou subcutânea, basta perceber que qualquer barriga grande representa um risco e não é saudável. Mulheres com uma cintura superior a 89cm e homens com a cintura maior que 102cm, têm um risco aumentado de desenvolver várias doenças.

Como tal, devem reduzir os seus depósitos de gordura. Mas como?

• Reduza o stress: a importância do lazer e da conexão social é muitas vezes subvalorizada quando se trata de eliminar gordura. O stress desencadeia a produção de cortisol e interfere com o controle do apetite, do metabolismo, do sono e dos apetites.

As plantas adaptogénicas, neste caso, podem ser de grande ajuda quando queremos reduzir o cortisol, assim como outras técnicas que incluem a meditação, a exposição solar, os passeios na natureza, o exercício e a leitura.

• Reduza o açúcar e os hidratos de carbono refinados: consumir açúcar e hidratos de carbono refinados provoca picos de insulina, assim, reduzir a ingestão destes produtos é o primeiro passo para reequilibrar o sistema hormonal e reduzir a gordura.

Usar adoçantes naturais saudáveis (ex. tâmaras, passas, figos secos), consumir uma abundância de alimentos fermentados e aumentar as gorduras saudáveis, são soluções que o podem ajudar muito porque têm efeitos benéficos sobre o equilíbrio de insulina e no sistema hormonal, levando à progressiva eliminação do excesso de peso.

• Dê prioridade ao sono: um bom descanso redefine as nossas hormonas do stress, aumenta o nosso metabolismo e mantém os apetites à distância.

Para obter um sono mais restaurador, experimente usar óleos essenciais relaxantes antes de dormir, evitar o excesso de cafeína e certifique-se de que está a dormir num quarto escuro e fresco.

 

i) www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19683583
ii) www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3748158

Vera Belchior
Vera Belchior

Naturopata
"Naturopata desde 2008, formada pelo I.M.T. (Instituto de Medicina Tradicional) tendo prosseguido posteriormente para uma Pós-graduação em Acupuntura e Moxabustão no ISLA de Lisboa.

Paralelamente, realizo ações de divulgação de vários temas diretamente relacionados com a Naturopatia e as Terapias Complementares, como palestras, workshops e artigos que vou escrevendo em parceria com revistas especializadas".

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