Parece quase um fator irrelevante, ao qual fechamos os olhos e, quase sempre, não admitimos.

O stress é tão comum na nossa sociedade, quanto desprezado. Provavelmente por ser um sintoma invisível, até certo ponto. Todos os seus efeitos no corpo e na mente vão acumulando, enquanto os atenuamos e mascaramos com suplementos, drogas e, principalmente, desculpas.

Antes de entrar na sua influência no metabolismo, deixem-me explicar, de forma sucinta, o que é, de facto, o stress.

É um mecanismo natural e bem-vindo do corpo. Temos stress bem utilizado e stress desnecessário, isto é, há aquele que nos serve na altura própria, que estimula a mente, a criatividade e nos salva de sarilhos (eustress), e outro, crónico, produzido por ameaças irreais que fomentam desequilíbrio e mal-estar pela sua duração constante no corpo (distress). Um ou outro, não passam de uma hiperativação psicofisiológica do organismo para enfrentar e equilibrar uma emergência.

A situação económica, a pressão cultural, ansiedade derivada do trabalho e de relações, a dinâmica sexual do indivíduo, o seio familiar, um evento traumático, são apenas alguns dos estímulos que criam e perpetuam o stress. O tempo vai passando e vamos adiando a necessidade de resolver os assuntos problemáticos da nossa vida, ocupando mente e corpo com objetivos de sucesso e trabalho. Assim, claro, vivemos num estado crónico que, infelizmente, é tão natural na sociedade, que nos leva a aceitar este estilo de vida. Pois viver com stress é praticamente, embora indesejado, um estilo de vida.

Mas não são só este fatores externos que proporcionam este estado de ansiedade prejudicial. A mente tem uma grande influência na nossa saúde, mental e física. No reino dos pensamentos, estamos a criar tensão e uma resposta fisiológica de stress, ao repetirmos, uma e outra vez, frases como:

  • Não sou o suficiente
  • Não sou digno de ser amado
  • Não sou perfeito
  • Não tenho o corpo perfeito
  • Não tenho a dieta perfeita
  • Sou fraco
  • Não tenho força de vontade
  • Não consigo ser tão bom quanto eles

Um dos mecanismos afetados por esta reação psicofisiológica é o metabolismo.

Hoje, escolhi falar-vos deste tópico em particular pois é, muitas vezes, o culpado para o peso que não oscila, ou aumenta, ou a ineficácia do corpo para utilizar energia ao longo do dia. Tanto as razões acima descritas, como a situação geral da nossa sociedade, a qual vive para a rapidez e o consumo, alteram o metabolismo. A mente está numa constante de autocrítica e focada nas tarefas que preenchem os dias; o corpo agarra-se a drogas para conseguir aguentar o dia  e tudo o que fazemos é à pressa, ou seja, em stress.

Mais, uma das atividades, tão imprescindível, que realizamos nesta mentalidade acelerada, é a alimentação. Não só não arranjamos tempo para nos sentarmos a comer, como nem damos pelo que ingerimos; pomos o corpo num constante ritmo intenso.

Alguns dos efeitos?

  • A diminuição do fluxo sanguíneo ao intestino (até 4 vezes menos);
  • Desequilíbrio hormonal, incluindo o funcionamento da tiróide, a qual influencia o peso do indivíduo;
  • Aumento dos níveis de insulina e cortisol;
  • Fraca absorção de minerais, vitaminas e água;
  • Perda de massa muscular;
  • Armazenamento de gordura.

Estas, e outras, são razões suficientes para começarmos a prestar mais atenção ao nosso estilo de vida, reorganizando prioridades e explorando novas opções.

Fico contente por ver, cada vez mais, novas iniciativas que falam abertamente de ferramentas úteis para controlar os níveis de stress.

Vale a pena experimentar!


Bárbara Aroucha
Bárbara Aroucha

Coach Psicologia Alimentar, Instrutora de Yoga, Consultora Mindfulness e Coach em Alimentação Vegan
Os anos que passei numa luta contra o corpo e a comida foram a base para desejar dirigir a minha vida a ajudar os outros nas mesmas dificuldades.

O contato com o Yoga foi o primeiro passo para conhecer uma nova dimensão do meu corpo, ajudando-me a adotar uma atitude mais compassiva para comigo mesma.

Procurei conhecer-me melhor através da comida e da minha relação com esta, através de muito estudo, dedicação e amor. Agora, sei que a forma como lidamos com o nosso corpo e a comida é uma porta para algo maior.

À procura de uma alimentação saudável que me desse prazer e nutrição, e movida por uma ética consciente, entrei no mundo do veganismo.

Adoro perder-me na Natureza e sou, sem vergonha alguma, amante de gatos, tendo feito voluntariado numa associação para adoção de gatos.

Todas as ferramentas que fui aprendendo utilizo-as nos outros, criando o melhor caminho para encontrarem serenidade e amor.

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