Não apoio dietas. Acredito numa alimentação equilibrada, a qual se insira no estilo de vida saudável de cada um. Aliás, vou mais fundo, não vejo um plano alimentar saudável e equilibrado único, mas sim uma forma de estar perante a comida.

É possível acharem estranha esta perspetiva, aliás, muitos dos que trabalham na área da alimentação regem-se por um mesmo plano, ou semelhantes, aplicando-o a pessoas muito diferentes. Esse plano até pode resultar para alguns de nós, mas muitos, se não a maioria, vão ter dificuldade em segui-lo e mantê-lo.

Se somos únicos na nossa experiência de vida, cada um com uma relação íntima e pessoal com a comida, porque seguiríamos um mesmo plano? Se fosse essa a solução, será que continuaríamos a lutar contra o corpo e o peso?

Vamos deixar esta reflexão para um outro artigo, onde dou a minha visão sobre as dietas. De volta ao tema, existem ferramentas que, acredito, servem como apoios fundamentais para todos aqueles que procuram fazer as pazes com a comida e o seu corpo. Uma delas é o Mindfulness.

E do que se trata, afinal, o Mindfulness?

Não é uma teoria ou um conceito, mas uma prática, um estilo de vida que requer um compromisso e paciência, principalmente no início. Praticar Mindfulness é praticar a Atenção Plena, ou seja, estar totalmente presente no momento em que se vive; não no futuro, nem no passado, perdidos na mente. É saborear o que o aqui e o agora têm para nos oferecer e ensinar, o bom e o menos bom. Existem diversas formas de trazer este estado de atenção plena ao nosso dia a dia e, com certeza, todos podem encontrar as técnicas que mais lhes agradam.

Por agora, vamos deter-nos na alimentação e como nos pode ajudar a trazer serenidade e prazer ao tema. Então, se Mindfulness é estar presente no momento, alguém que o pratica às refeições é alguém que:

• Come devagar - As pessoas não fazem ideia do impacto que a forma como comemos tem em nós. Ao comermos muito depressa, o cérebro é incapaz de registar sabor, prazer, aroma e satisfação na sua totalidade -  é a fase de preparação do organismo para a alimentação e digestão, a fase cefálica. É fundamental, caso contrário, o cérebro não regista que já comemos e incita-nos a comer mais.

• Aprecia as sensações - Quando nos encontramos presentes e conscientes durante a refeição, deliciamo-nos com as sensações, desde as cores e formas, ao aroma no ar, o sabor na língua, e os diversos estímulos corporais ao ingerir alimentos: frios ou quentes, insonsos ou picantes, doces ou ácidos. Assim como nos apercebemos da harmonia do ambiente, do convívio ou do silêncio.

• Tem prazer – Gosto de associar o prazer ao nutrir. Ao darmo-nos permissão para retirar prazer da comida, somos menos negativos, logo, diminuímos os níveis de stress. Sejam alimentos saudáveis ou “comida de plástico”, a forma como a ingerimos terá influência. Se estivermos num estado de ansiedade e culpa, o mesmo alimento, por exemplo uma dose de batatas fritas, serão metabolizadas mais devagar, podendo até provocar mal-estar físico. Já ingeridas num estado de apreciação e consciência plena, sem querer fugir ao alimento, o metabolismo e a digestão serão mais fáceis. É caso para dizer, prazer sem culpa traz felicidade.

• Come com tranquilidade - Sem pressa para o trabalho, sem sentimentos de culpa ou escondidos na despensa, sem o multitasking cada vez mais acentuado na nossa cultura. Criar o hábito de trazer serenidade ao momento das refeições irá atenuar os sintomas destrutivos e promover os benefícios dos alimentos. É o oposto do stress.

• Come com qualidade - Qualidade não se limita aos alimentos. Sim, é importante escolhermos o melhor para nós, alimentos o mais perto da sua origem natural possível, pois são mais adequados para a nossa natureza humana. Afinal, ainda não somos máquinas. Os produtos embalados de validade extensa estão repletos de aditivos que os deixam muito aquém de um produto fresco. Qualidade remete também, para o nosso cuidado em preparar a refeição, desde a escolha dos alimentos ao carinho com que os cozinhamos; o primor em escolher comer com gosto, à sua densidade nutricional.

Experimente! Vai ver que se sente bem...


Bárbara Aroucha
Bárbara Aroucha

Coach Psicologia Alimentar, Instrutora de Yoga, Consultora Mindfulness e Coach em Alimentação Vegan
Os anos que passei numa luta contra o corpo e a comida foram a base para desejar dirigir a minha vida a ajudar os outros nas mesmas dificuldades.

O contato com o Yoga foi o primeiro passo para conhecer uma nova dimensão do meu corpo, ajudando-me a adotar uma atitude mais compassiva para comigo mesma.

Procurei conhecer-me melhor através da comida e da minha relação com esta, através de muito estudo, dedicação e amor. Agora, sei que a forma como lidamos com o nosso corpo e a comida é uma porta para algo maior.

À procura de uma alimentação saudável que me desse prazer e nutrição, e movida por uma ética consciente, entrei no mundo do veganismo.

Adoro perder-me na Natureza e sou, sem vergonha alguma, amante de gatos, tendo feito voluntariado numa associação para adoção de gatos.

Todas as ferramentas que fui aprendendo utilizo-as nos outros, criando o melhor caminho para encontrarem serenidade e amor.

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