Desde os tempos bíblicos, as tâmaras eram consideradas possuidoras de propriedades curativas profundas, mas só agora a ciência vem confirmar o que os nossos antepassados já sabiam.

A tâmara provém da palmeira tamareira que, em grego, tem a designação de Phoenix e, em árabe, a palavra tâmara significa dedo de luz (douglat nour), devido à forma e à transparência luminosa dos seus frutos.

Acredita-se que as tâmaras tiveram origem no Golfo Pérsico e que têm sido cultivadas desde os tempos antigos da Mesopotâmia, na pré-história do Egito, possivelmente já em 4000 a.C. Mais tarde, os árabes as trouxeram para o Sul e para o Sudoeste da Ásia, Norte de África, Espanha e Itália.

As tâmaras foram e continuam a ser um cultivo de subsistência de extrema importância em quase todas as regiões desérticas. A importância da tâmara na vida do deserto, fez com que este fruto fosse considerado um alimento perfeito para a sobrevivência dos povos que vivem/viviam nos desertos, os chamados “beduínos”. Diz-se que um beduíno resiste três dias de marcha com uma tâmara: “no primeiro dia come a pele, no segundo dia o fruto e no terceiro o caroço”. Por isso, naqueles locais as tamareiras são objeto de veneração.

Benefícios nutricionais

A tâmara é muito nutritiva pois contém proteínas, açúcar, sais minerais e vitaminas, sobretudo a vitamina C que, neste fruto, existe entre 8 a 17 vezes mais do que na laranja. As tâmaras são também ricas em vitamina B5 (ácido pantoténico), conhecida pelos seus efeitos tranquilizantes.

Uma caraterística marcante na sua composição é o facto de, para além de muito doce, ser extremamente rica em fibras e uma excelente fonte de cálcio. Ricas em ferro, são aconselhadas para quem padece de alterações hepáticas e anemias. Também são muito abastadas em potássio, o que ajuda a manter os níveis de pressão sanguínea normais e a diminuir a perda óssea.

A tâmara é composta por 72% de hidratos de carbono simples e complexos. Isso faz dela um dos alimentos mais energéticos que se conhecem (274Kcal por 100gr de tâmara seca). Deste modo, são ideais para quem precisa de muita energia, como as crianças, os desportistas e os idosos.

As tâmaras e o trabalho de parto

Um estudo publicado no Journal of Obstetrics and Gynecology em 2011 e intitulado "O efeito do consumo das tâmaras no final da gravidez[1]", apresentou a investigação do efeito do consumo das tâmaras nos parâmetros do trabalho de parto e nos seus resultados.

Ao longo de 11 meses na Jordan University of Science and Technology, dois grupos de mulheres foram incluídas num estudo prospetivo onde 69 mulheres consumiram seis tâmaras por dia durante 4 semanas antes da data prevista para o parto, contra 45 mulheres que não consumiram nenhuma. Estas mulheres tinham parâmetros semelhantes, por isso não houve diferença significativa na idade gestacional, idade e paridade (o número de vezes que a mulher engravidou) entre os dois grupos.

Os resultados do estudo foram os seguintes:

• Melhoria da dilatação cervical: "as mulheres que consumiram as tâmaras tinham significativamente maior média de dilatação cervical no momento da admissão, em comparação com as que não consumiram (3,52 cm vs 2,02 cm, p <0)";

• Menos danos às membranas: "o grupo de intervenção tinha uma proporção significativamente maior de membranas íntegras (83% vs 60%, p = 0,007)";

• Trabalho de parto mais espontâneo: "o trabalho de parto espontâneo ocorreu em 96% das pessoas que consumiram as tâmaras, em comparação com 79% das mulheres que não as consumiram (p = 0,024)";

• Menos drogas necessárias: "o uso de prostin/ocitocina foi significativamente menor nas mulheres que comeram tâmaras (28%), em comparação ao outro grupo (47%) (p = 0,036)";

• Trabalho de parto mais curto: "a fase latente média da primeira etapa do trabalho de parto, foi menor no grupo que comeu as tâmaras comparado ao outro grupo (510min vs 906min, p = 0,044)".

Os pesquisadores concluíram que "o consumo de tâmaras, nas últimas 4 semanas antes do parto, reduziu significativamente a necessidade de indução e aumentou a eficácia do trabalho de parto, produzindo um resultado mais favorável no mesmo".

As tâmaras são autênticas fontes de minerais, vitaminas, aminoácidos e ácidos gordos, mas não só, elas também contêm nutrientes de elevado valor biológico. O que quero dizer com isto?

Quero dizer que, tanto as tâmaras como os outros alimentos, contêm biomoléculas que em conjunto, modulam a expressão de milhares de genes no nosso corpo, afetando o nosso microbioma. É por isso que a expressão “comida como medicina” é tão verdadeira, pois o alimento é hábil na interferência que tem a nível molecular, de uma maneira que nenhum medicamento é capaz. A forma como os nutrientes corrigem os desequilíbrios orgânicos é simplesmente espantosa e, por muito que a ciência tenha avançado, ainda há imenso para aprender acerca da sinergia de todos os compostos presentes num alimento/planta que, em conjunto nos beneficiam mas que em separado podem causar danos, daí a diferença entre um princípio ativo e o totum vegetal, este último tão utilizado na Naturopatia.

 

[1] www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21280989

Vera Belchior
Vera Belchior

Naturopata
"Naturopata desde 2008, formada pelo I.M.T. (Instituto de Medicina Tradicional) tendo prosseguido posteriormente para uma Pós-graduação em Acupuntura e Moxabustão no ISLA de Lisboa.

Paralelamente, realizo ações de divulgação de vários temas diretamente relacionados com a Naturopatia e as Terapias Complementares, como palestras, workshops e artigos que vou escrevendo em parceria com revistas especializadas".

Perfil Completo

Innifit nas redes