Não para a maioria de nós! Talvez para uma pequena percentagem da humanidade, com a sorte de seguir um plano alimentar para toda a vida com facilidade e sucesso. Se as dietas resultassem, creio que estaríamos curados de um dos grandes “males” da sociedade - excesso de peso.

Deixem-me já esclarecer a minha posição neste “mal”: não concordo. Não é um pecado, nem um defeito, nem mesmo um perigo para alguns de nós, de estatura forte e saudáveis.

Existem estudos que revelam os perigos de um determinado peso (elevado e baixo), e pessoas que vão contra esses estudos, com provas de que determinada alimentação e/ou determinado peso não significa doença ou fraca qualidade de vida.

Mas deixem-me dar-vos um exemplo que, talvez, seja mais fácil reconhecer.

Talvez conheçam uma ou outra pessoa que, embora aparentemente muito saudável, fica doente de súbito, ou então, está muitas vezes doente. Ora, isto significa que nem sempre o peso está relacionado com a nossa fraca ou ótima saúde, certo?

Estou a dar esta introdução apenas para abalar um pouco quem se habituou a ouvir a mesma história sobre a alimentação e o bem-estar. Não é culpa nossa, visto sermos bombardeados por opiniões distintas de vários profissionais.

Se alguns de nós (poucos) seguem um plano alimentar com sucesso, ótimo! Contudo, se é mais um dos que pula de dieta em dieta ou está on and off (ora a comer desalmadamente, ora a passar fome) há que ponderar no castigo a que se auto inflige diariamente. Até quando? Uma vida toda? Infelizmente, é o que vejo a acontecer: cada vez começam mais cedo, e cada vez mais o assumem para a vida toda.

Poderá perguntar-se, “Qual outra solução?”, ou, então, já grita comigo internamente, “mas se eu não faço dieta, vou ficar um elefante!!”.

Calma!!. Se isso acontecer, o mais certo é o seu corpo estar desnutrido, a desesperar por todas as vitaminas e nutrientes necessários ao seu bom funcionamento. Outra hipótese comum é a desconexão com o seu corpo e a sua vida, refugiando-se na comida, seja comendo em excesso, seja comendo pouco, a fim de evitar encarar o que é realmente importante.

A solução? Não há uma única, no entanto, passa por explorar outras opções, ser mais amável e caridoso consigo, e permitir ao corpo que se autorregule. E, caso esteja a pensar que é impossível dar-se a essa liberdade ou perde o controlo, relaxe. Não tem um problema de força de vontade, não é fraco. As razões são as mesmas, ou está com falta de nutrientes, ou há uma ou mais áreas na sua vida a precisarem de atenção.

Às vezes é tão simples como a falta de prazer. Deixe-me perguntar, tem prazer com a comida? E, atenção, prazer significa alimentar-se sem sentimentos de culpa, antes, durante, ou depois.

Enfim, como sei que não basta a minha palavra, tenha a noção que estudos cientificamente provados afirmam que 99% dos indivíduos que perdem peso numa dieta, voltam a ganhá-lo dentro de um ano. No entanto, as pessoas continuam a seguir cegamente algumas dietas. Há uma série de fatores que revelam a inutilidade das dietas e, de seguida, vamos ver alguns:

1. Primeiro que tudo, quando ingerimos poucas calorias, ponto fulcral no mundo das dietas, o corpo entra em modo de sobrevivência. É uma resposta normal do corpo, uma versão de stress fisiológico, em que o corpo julga estar a passar por um período de fome. Para sobreviver, retém o peso, guarda a gordura e evita desenvolver massa muscular, desacelerando, portanto, o metabolismo. É um mecanismo brilhante da nossa fisiologia, se formos honestos, embora o oposto do que esperamos de uma dieta;

2. Outra atitude comum de quem quer perder peso, é saltar refeições. Sei de pessoas que se dão bem com este esquema, outras que caiem num vício perigoso. A maioria das pessoas passa sem pequeno-almoço e, por vezes, até o almoço, tendo a sua refeição maior à noite. Tal rotina mexe com o  ritmo natural do nosso corpo, chamado ritmo circadiano. O corpo digere e assimila melhor os nutrientes, assim como queima as calorias ingeridas de forma mais efetiva, quando o sol está no seu pico: pelas 12h - 13h30;

3. Mais uma, a falta de prazer que mencionei acima. Acha mesmo que a nossa capacidade de saborear e apreciar a comida, e outros aspetos da vida, são uma maldição? Em termos evolutivos, são essenciais para a sobrevivência da espécie, incitando-nos a comer; lutar contra o prazer natural é lutar contra uma parte de nós, é inútil. Numa visão mais pessoal e espiritual, o ser humano não está cá para sofrer, mas para se deliciar com as experiências e aprender com as lições mais difíceis. "A dor é inevitável. O sofrimento é opcional" - Tim Hansel;

4. Para terminar, embora existam outras “regras” dietéticas contraprodutivas, está a nossa luta contra a comida e contra o corpo. Se o oxigénio e o ato de respirar são essenciais para a vida, porque fazemos da comida e do apetite nossos inimigos? E porque punimos, com ações e pensamentos, o nosso corpo, que tanto trabalha por nos suster na vida? Esta atitude de luta e ódio promovem o stress, elevando os níveis de cortisol e insulina, logo, dificultando a perda de peso.

Ainda acreditam que vale a pena continuar a experimentar várias dietas?


Bárbara Aroucha
Bárbara Aroucha

Coach Psicologia Alimentar, Instrutora de Yoga, Consultora Mindfulness e Coach em Alimentação Vegan
Os anos que passei numa luta contra o corpo e a comida foram a base para desejar dirigir a minha vida a ajudar os outros nas mesmas dificuldades.

O contato com o Yoga foi o primeiro passo para conhecer uma nova dimensão do meu corpo, ajudando-me a adotar uma atitude mais compassiva para comigo mesma.

Procurei conhecer-me melhor através da comida e da minha relação com esta, através de muito estudo, dedicação e amor. Agora, sei que a forma como lidamos com o nosso corpo e a comida é uma porta para algo maior.

À procura de uma alimentação saudável que me desse prazer e nutrição, e movida por uma ética consciente, entrei no mundo do veganismo.

Adoro perder-me na Natureza e sou, sem vergonha alguma, amante de gatos, tendo feito voluntariado numa associação para adoção de gatos.

Todas as ferramentas que fui aprendendo utilizo-as nos outros, criando o melhor caminho para encontrarem serenidade e amor.

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